RELATÓRIO DE
VIAGEM: I CICLO DE ESTUDOS SOBRE OS ENGENHOS EM SERGIPE”
Diego
Vinicius Santos Nascimento
Graduando em História pela Universidade
Federal de Sergipe
No
nono dia do mês de março de 2013, foi realizado o primeiro “Ciclo de estudos
Engenhos em Sergipe”, organizado pelo Professor e Historiador Dr.Antônio Lindivaldo
Sousa, com a participação da turma de História de Sergipe II e outros
convidados do curso de História, da Universidade Federal de Sergipe. Com visitas
aos Engenhos São Félix em Santa Luzia do Itanhy, Fazenda Camaçari e Engenho Dira em Itaporanga e a casa de Dona Baby onde estão alguns móveis do Engenho Pedras na cidade de Laranjeiras.
Com partida as 6 :30 h da manhã, saindo da cidade de Aracaju com destino a cidade de Santa Luzia, o ciclo de estudos teve inicio. O primeiro engenho a ser visitado foi o de São Félix ( Santa Luzia), representando a região do Vaza Barris. Lá tivemos uma aula pública do Professor Dr. Antônio Lindivaldo Sousa, que apresentou uma breve história do engenho que antes de ser chamado de São Félix, era conhecido por Tuntun dentre outros curiosidades do local, o nome São Félix possivelmente vem do capitão Félix da Rosa. O engenho está localizado perto do rio Guararema, e foi construído no século XVIII. Citou também a importância do Tenente Coronel Paulo de Souza Viera, para o desenvolvimento e crescimento do Engenho, da ampliação e a construção da casa grande, porém morreu cedo aos 40 anos, deixando a sua esposa D. Joaquina com a posse das terras, ela que logo se casou com José de Oliveira leite, o famoso Barão de Timbó. Após passar por outras gerações da família o engenho acabou se tornando uma usina no século XX, sendo mais exato na década de 60 e 70. Porém atualmente o Engenho São Félix tem como atividade econômica a criação de gado.
Na segunda parte da visita tivemos a oportunidade de conhecer a casa grande, a materialização da história através dos móveis coloniais de origem portuguesa, de entrar na senzala, de perceber os detalhes da casa, enfim entender a riqueza cultural que cada peça e cômodo possuí.
Mosaico: Fotos do Engenho São Félix ( Acervo de Diego Vinicius)
Ao fim da primeira visita, seguimos em direção a cidade de Itaporanga, para conhecer a Fazenda Camaçari, também da região do Vaza-Barris. Lá tivemos outra aula pública, sendo agora do Professor Samuel, que nos apresentou a constituição da história do engenho a partir de documentações que ele teve acesso e de material do próprio acervo. Narrou-nos, acontecimentos da história daquele lugar que pertenceu primeiramente ao José Ribeiro Losano, sendo o primeiro relato da existência da propriedade, em 1807 (século XIX). Falou das suas referências, de como teve acesso aos inventários e outros registros do Camaçari. Cita que em 1855 a propriedade pertencia ao Barão Domingos Dias Coelho de Mello, já com o declínio do açúcar, Domingos Dias, que posteriormente foi agraciado com o titulo de Barão de Itaporanga. Ele e sua família dominava toda a região do Vaza- Barris. Os atuais donos do Engenho ainda pertence a família Dias Coelho de Mello. Terminada a aula pública tivemos a oportunidade de visitar a Casa Grande e a Capela, com a guia de Maria Augusta umas das atuais donas da propriedade. Nos dias atuais, assim como o Engenho São Felix, a atividade econômica do Camaçari está voltada a criação de gado.
No interior da casa podemos notar a preservação da mobília, sendo em sua maioria original da época, camas, mesas, quadros, e até uma banheira, escrivaninhas, cadeiras, pratos, taças e jarras.Muitas coisas que refletem ao passado colonial. Na capela também podemos notar a preservação da estrutura colonial, como as imagens, as pinturas no teto, dentre outros detalhes.
Mosaico: Fotos da visita a Fazenda/Engenho Camaçari ( Acervo de Diego Vinicius)
Logo depois da visita a Engenho Camaçari, tivemos uma pausa para o almoço realizado na cidade de Itaporanga.
Dando continuidade ao ciclo de estudos, partimos para o Engenho Dira, que está localizado na divisa entre São Cristóvão e Itaporanga. O seu atual proprietário é José Agusto Viera do grupo Maratá. Um lugar que encantou a todos por sua beleza e sua preservação, mesmo que sua estrutura tenha sofrido modificações, O Engenho Dira possui muitas características singulares.
Nos dirigimos a capela do Senhor do Bonfim, que foi construída no ano de 1703, onde tivemos a fala do Professor Antônio Lindivaldo, que ressalta a originalidade das peças da capela, como os bancos e as imagens da época colonial. Tendo como base a arquiteta Kátia Loureira, ele nos apresenta outros aspectos físicos do lugar, dividida em duas etapas: neogótica e colonial. Chama atenção para a imagem de São Benedito, um santo colonial e a presença do catolicismo penitencial devida a imagem do cristo crucificado. Ressalta também a importância da igreja católica na época, de como ela estava diretamente ligada a ordem colonial. A capela apresenta um bom estado de conservação, percebemos o cuidado que existe na preservação daquela memória, realmente um lugar bastante agradável.
Mosaico: Fotos do Engenho Dira. ( Acervo de Diego Vinicius)
Ao término da visita ao Engenho Dira, partimos em direção a ultimo ponto de visita do dia, a casa de Dona Baby ( Fazenda Santa Cruz, Séc. XVIII) nas proximidade de Laranjeiras. A casa dela possui várias mobílias e objetos do antigo engenho Pedras, onde ela residiu nos anos de 1969 até o ano de 1971. No interior da casa tivemos a fala da Mestranda no curso de História Priscila, que nos contou detalhes sobre a fazenda, de como os móveis chegaram lá, da importância e sobre os donos a família Bragança. Após a fala dela, continuamos a nossa visita pelo interior da casa, conhecendo outros móveis colonias, tudo preservado e em bom estado. O que chamou atenção são os tachos de açúcar do engenho que hoje são meros canteiros de plantas.
Mosaico: Fotos da Fazenda Santa Cruz ( Acervo de Diego Vinicius)
Considerações Finais:
Conhecer esses lugares de memoria é uma forma de entender melhor o ciclo do açúcar em Sergipe, percebendo as transformações que ocorrem com o decorrer da necessidades econômicas da época. A viagem foi muito importante para conhecer na prática o que já tínhamos aprendido na teoria, sendo que somos privilégiados territorialmente de poder percorrer duas importantes regiões da época canaveira de Sergipe em apenas um dia, do Vaza-barris ao vale do Continguiba. O primeiro ciclo de estudos sobre os Engenhos em Sergipe foi realizado com sucesso, e com certeza esse dia ficará guardado na lembrança de todos que participaram dele.





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